Entre o eterno retorno e a redenção histórica: Nietzsche, Benjamin e a crise da temporalidade moderna
Resumo
O presente artigo analisa criticamente o antagonismo filosófico entre Friedrich Nietzsche e Walter Benjamin a partir do problema da temporalidade moderna, enfatizando a tensão entre eterno retorno e redenção histórica. O estudo parte da hipótese de que ambos os autores compartilham um diagnóstico comum acerca da crise da modernidade europeia marcada pelo colapso das estruturas metafísicas tradicionais, pela expansão da racionalidade técnica e pela fragmentação da experiência histórica, embora elaborem respostas radicalmente distintas diante do niilismo moderno. Em Nietzsche, o eterno retorno emerge como radicalização da imanência e como crítica à teleologia metafísica da história, exigindo afirmação trágica do devir e fidelidade absoluta à contingência da existência. Em Benjamin, a crítica ao historicismo progressista conduz à formulação de uma temporalidade messiânica fundada na interrupção crítica do continuum histórico e na rememoração dos vencidos. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se em abordagem hermenêutica, filosófico-analítica e crítico-interpretativa, mobilizando principalmente as obras Assim Falou Zaratustra, A Gaia Ciência e Genealogia da Moral, de Nietzsche, bem como Sobre o Conceito de História e A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica, de Benjamin. A investigação demonstra que o antagonismo entre ambos ultrapassa uma divergência sobre a história e revela duas ontologias inconciliáveis do tempo moderno: de um lado, a afirmação trágica do devir; de outro, a exigência ética da redenção histórica. Conclui-se que o confronto entre Nietzsche e Benjamin permanece decisivo para compreender os impasses contemporâneos relacionados ao niilismo, à técnica, à memória e à crise da experiência temporal na modernidade tardia.
