Um Defeito de Cor?

Rupturas Decoloniais e limites ontoepistêmicos entre a liberdade e a necessidade

Autores

  • José Pascoal Mantovani UNIFESP

Resumo

Este artigo problematiza as concepções hegemônicas de liberdade e necessidade fundamentadas na razão pós-iluminista, demonstrando como tais categorias operam para sustentar a violência racial e a exclusão ontoepistemológica. Partindo da denúncia literária presente em “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves, o estudo investiga a ilusão do sujeito universal kantiano que dicotomiza a liberdade (domínio moral) e a necessidade (determinismo científico). Em diálogo com a Teoria Crítica (Adorno e Horkheimer) e ancorado nas perspectivas decoloniais de Denise Ferreira da Silva e Achille Mbembe, o texto evidencia que a infraestrutura lógico-científica moderna legitima a violência sobre o que Silva denomina "corpo cativa ferida na cena da subjugação". Em contraposição a visões éticas universalistas, argumenta-se que a expansão da lógica extrativista culmina no "devir-negro do mundo", alertando para a insuficiência da ética liberal clássica. Conclui-se que o rompimento com a reificação capitalista exige a transição de uma ontologia substantiva — focada no indivíduo proprietário — para uma ontologia pronominal e relacional, na qual a verdadeira emancipação se forja na multiplicidade e na ruptura com a necessidade como lei de dominação.

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Publicado

01.11.2026