Objetificação do corpo feminino e violência de gênero: atravessamentos na subjetividade feminina entre gênero, raça e psicanálise

Autores

  • Maria Vitoria Camargo Domingues Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos - UNIFIO
  • Gabriella Proença de Souza
  • Fábio Sagula de Oliveira

Resumo

O presente estudo tem como objetivo compreender os atravessamentos da objetificação do corpo feminino e da violência de gênero na constituição da subjetividade feminina, à luz da psicanálise freudiana e kleiniana, considerando as articulações entre gênero, raça e classe, com atenção às experiências de mulheres negras. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida por meio de revisão narrativa, de caráter teórico-bibliográfico, fundamentada em obras psicanalíticas e produções científicas relacionadas à feminilidade, objetificação, violência de gênero, raça e subjetividade. A análise evidencia que a objetificação do corpo feminino constitui um fenômeno histórico, social e cultural sustentado por estruturas patriarcais e por dispositivos que reduzem a mulher à condição de objeto de desejo, controle e dominação. Observa-se, ainda, que esses processos não se manifestam de forma homogênea, sendo atravessados por marcadores de raça, classe e sexualidade, especialmente no caso das mulheres negras, cujos corpos foram historicamente submetidos à desumanização e à hipersexualização. A partir das contribuições de Freud e Klein, compreende-se que tais experiências podem produzir repercussões significativas na subjetividade, mobilizando sentimentos de culpa, desvalorização, submissão e mecanismos defensivos, além de favorecer a repetição de vínculos violentos. Ressalta-se, por fim, a importância de uma escuta psicanalítica ética e sensível, capaz de reconhecer a violência como experiência real e socialmente estruturada, sem reduzi-la a fenômenos exclusivamente intrapsíquicos, favorecendo processos de elaboração, integração e resgate da autonomia subjetiva.

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Publicado

01.11.2026