Dando nome aos bois
Inteligência artificial ou modelo de linguagem?
Palavras-chave:
Inteligência Artificial, Modelo de Linguagem, Fenomenologia Existencialista, Amanualidade, Consciência CríticaResumo
Este artigo é um ensaio que traz nossas meditações acerca do termo Inteligência Artificial (IA) usado corriqueiramente como nomenclatura de softwares cujo termo técnico é Modelo de Linguagem. O argumento central é que nomear tal objeto de forma adequada nos ajuda a ter uma consciência crítica do mesmo. Além do mais, no campo da produção científica a nomenclatura serve também como ferramenta de categorização e o rigor científico torna crucial uma reflexão sobre os termos utilizados para se referir a esta ferramenta. No início, o texto se concentra em descrever tecnicamente, ainda que de forma resumida, como tais tecnologias funcionam, evidenciando sua maneira de trabalho com o formato e não com o conteúdo e a partir de uma base de dados fornecida. Em seguida, calcados em Álvaro Vieira Pinto, na fenomenologia existencialista e em Freire, procuramos explicar que não vemos possibilidade em uma inteligência que seja artificial, mas somente extensões artificiais da inteligência humana. Também não acreditamos ser possível uma consciência artificial por não haver transcendência na IA e que sua essência é determinada, precedendo sua existência, ao contrário do que acontece com a consciência ou práxis. Nossa proposta é que, principalmente no âmbito da pesquisa acadêmica sobre este tema, atenhamo-nos ao uso do termo Modelo de Linguagem (ML) preterindo, desta forma, o uso do termo IA.
