Entre neutralidade e confronto:
preconceitos de gênero em narrativas produzidas por inteligências artificiais generativas
Resumo
O avanço das inteligências artificiais generativas tem ampliado o uso de sistemas automatizados de produção textual em contextos educacionais, institucionais e comunicacionais, suscitando debates éticos acerca da neutralidade algorítmica e da reprodução de vieses sociais. Este artigo analisa como preconceitos de gênero se manifestam em narrativas produzidas pelo ChatGPT, à luz da Análise Crítica do Discurso e da Teoria da Performatividade de Gênero. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e exploratória, baseada na análise de um corpus de respostas geradas a partir de prompts estruturados, elaborados para provocar reflexões sobre papéis sociais, competências e expectativas atribuídas a homens e mulheres. Os resultados indicam que, embora o sistema adote, em determinados contextos, discursos alinhados a princípios normativos de igualdade, persistem associações implícitas que reiteram estereótipos de gênero, especialmente nos eixos da liderança, das competências profissionais e da expressão emocional. Conclui-se que a produção textual automatizada não é neutra, mas atravessada por discursos socialmente situados, evidenciando a necessidade de abordagens críticas no uso educacional e no desenvolvimento de inteligências artificiais generativas mais éticas e inclusivas.
